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Quem está puxando a publicação de ebooks no Brasil

Eduardo Melo Simplíssimo Ebooks, Mercado 2 Comments

A explicação para o crescimento vertiginoso do catálogo de ebooks em português, vai muito além do aumento do interesse das editoras pelo formato. Os autores, especialmente aqueles que nunca estiveram sob o guarda-chuva de uma editora, são em boa parte responsáveis pelo aumento na publicação de ebooks no Brasil. É um fenômeno bem mais comum em mercados onde o livro digital é realidade há mais tempo, como EUA, Inglaterra e Japão, e já começamos a trilhar o mesmo caminho.

As vantagens e razões para preferir a publicação digital são comuns a todos os autores, sejam brasileiros ou estrangeiros. Eles podem publicar diretamente na plataforma de Amazon e Apple, ou podem contratar serviços que produzem o ebook e o colocam à venda – existem soluções como o Smashwords, que é gratuito e já comercializa centenas de milhares de ebooks no mundo inteiro. Enfim, para cada tipo de bolso, existe uma solução para publicação digital, em geral mais vantajosa, prática e econômica que o livro impresso.

Ainda é muito cedo para falar em fenômenos de self-publishing digital no mercado brasileiro, especialmente em “listas de mais vendidos” como a da Amazon – que recentemente anunciou alguns autores independentes entrando na sua lista de “100 mais vendidos” em português. Nada contra, mas o mercado ainda é pequeno o suficiente para permitir que qualquer pico de vendas, em um intervalo breve de tempo, afete estas listas de forma determinante, alçando até o mais desconhecido dos desconhecidos para o topo – ou o mais copiado dos copiados, como aconteceu em março na loja do Google, quando uma versão de Dom Casmurro vendida por R$ 1,80 figurou entre os mais vendidos da loja. Até o final de 2013, porém, eu acredito que iremos conhecer um legítimo fenômeno nacional (e arrebatador) de auto-publicação em ebook.

As editoras também são responsáveis por aumentar o volume de ebooks, claro. Elas investem há tempos nisto e desde a chegada da “legião estrangeira” das livrarias digitais, ganharam estímulos adicionais – praticamente todas as lojas estrangeiras oferecem (ou ofereceram) conversões gratuitas para as editoras, uma oferta que costuma vir acompanhada de alguma obrigação de exclusividade sobre a venda dos arquivos, ou, pelo menos, da proibição de utilizá-los em lojas concorrentes. Mesmo assim, as editoras não conseguem superar um certo ritmo de lançamento de ebooks – falta braço inclusive para revisar os arquivos. O avanço das editoras é certo, mas lento. Já o avanço dos autores é certo, esperado e só tende a  aumentar.

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